SOBRE CRENÇAS, CONFLITOS E FELICIDADE

Cada um pensa, age e vive de acordo com suas crenças. Pensamos, vivemos e acreditamos naquilo que escolhemos, portanto, nossas atitudes são resultado de nossas escolhas. Mesmo quando somos induzidos a crer em alguma coisa pelos meios de comunicação de massa temos a escolha de questionar, refletir e transformar, ou não, aquela mensagem em parte de nossa vida.
Pensamento – fala – ato – este conjunto quando colocado como uma cadeia coerente em direção a um objetivo passa a ter uma personalidade própria, um caráter, que se agrega a outros semelhantes formando uma corrente de determinado comportamento social.

Hoje em dia, é muito comum estereotipar pessoas, como tribos, por exemplo: “Patricinhas”; “punks”, “Mauricinhos” e assim por diante. Estamos falando que as pessoas se agregam de acordo com seus gostos, suas maneiras de vestir, de agir, falar: com suas crenças, gerando atitudes semelhantes.

A diversidade de crenças, de idéias é fundamental para a evolução da humanidade, a existência do liberalismo foi fundamental para o aparecimento de sua antítese: o socialismo. Ambos foram importantíssimos para a evolução do planeta: a revolução industrial foi a base do desenvolvimento da economia mundial, enquanto as doutrinas sociais, que lhe antagonizaram, auxiliaram no desenvolvimento da valorização do homem, até os tempos atuais, quando se impôs a síntese – na universalização dos direitos humanos.

Na verdade, todos buscamos uma mesma coisa: satisfação. Buscamos ser felizes.

Quando não aceitamos as posições alheias, nascem os conflitos e quando não conseguimos nos colocar no lugar do outro, nascem os impasses. Nestes momentos, criamos grandes crises que irão bloquear o fluir de nossas vidas e nos impedir de sermos felizes, de viver plenamente. Nos sentimos frustrados, justamente o oposto da plenitude da felicidade almejada.
A busca de ajuda de um terceiro é aconselhável. Mas que tipo de auxílio? Uma solução fora do grupo envolvido, por imposição de uma sentença, por exemplo, parece extremamente bizarra, quando colocada a situação sob a forma de sentimentos e vivencias, relações entre pessoas.

É neste contexto que o mediador vem para auxiliar cada um a compreender o seu papel na situação conflituosa, a ESCUTAR ATIVAMENTE o outro, a vivenciar o conflito pela ótica da outra parte envolvida. O mediador é um indutor, porque, na realidade a solução das disputas está sempre nas mãos daqueles que construíram a situação.

Portanto, a mediação deve auxiliar as pessoas a alcançarem a satisfação sem julgamento do que buscam, vez que este é um mundo cheio de diversidade. Mas usando a ESCUTA ATIVA escutando uns aos outros para descobrir o que é a pretensão, o desejo do outro e, como poderemos conciliar os nossos desejos com o desejo do outo. Para isto, temos que conhecer nossas crenças e a dos outros, colocá-las de lado e aceitar as crenças alheias como fator de diversidade e, buscar conciliar interesses para obtermos a satisfação possível, máxima de uma situação de disputa, ou conflito.

A imposição de uma sentença sempre exigirá uma fase de execução, de coerção da outra parte, delongando no tempo o fim do conflito, mas também não criando uma mudança permanente de atitude.

A construção de uma solução por mediação, onde os envolvidos encontram o ponto possível de convergência, com a ajuda do mediador, além de execução imediata, cria uma mudança de atitude, ajuda os envolvidos a agregarem valores as suas vidas, a aprenderem a vivenciarem as situações de forma diferente e dali pra frente, tornando-se mais negociadores, menos inflexíveis, prontos a construírem seu futuro vivenciando novas realidades mais harmoniosas e felizes.

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